domingo, 15 de setembro de 2013

QUERIA SIMPLESMENTE NÃO MAIS SENTIR


Por Rosana Costa

(Foto de autor desconhecido)



Era insuportável.
Caminhava com os pés descalços ao longo da praia. O sol já se escondia no horizonte... A impressão que possuía era de que a luz do dia se apagava nas águas do mar. Sentiu-se melancólica. Tão triste e fraca que não mais conseguia caminhar. Parou lentamente, virou-se de frente ao mar e sentou na areia da praia.
Estranha.  Estranha a tudo! Tudo lhe parecia fora de foco. Seu corpo parecia pesado demais. Sua respiração estava difícil: começou a respirar fundo, sentindo assim o gosto de sal do mar em sua garganta e tentando pensar em nada. Mas, não conseguia. Uma nuvem de memórias e sensações a cercava, sufocando-a. Seria possível esquecer? Poderia viver normalmente com as memórias que guardava? Ansiava por ajuda... Por apoio, mas não sabia como pedir, a quem pedir, só conhecia o porquê do pedir.
Sorriu. Um sorriso sério, carregado de culpa e desespero. Fixou o olhar nas águas alaranjadas do mar. E, por um momento, desejou que sua luz se apagasse do mesmo modo. Queria simplesmente não mais sentir, mas não sabia se seria ela mesma quando finalmente conseguisse isso. Abaixou o olhar. Percebeu-se de seu corpo e mais uma lembrança forte a invadiu. Tão intensa... Tão clara... Que reviveu o momento, e as lágrimas simplesmente surgiram. Mas o alívio não veio! Sentia-se repleta de dor, culpa e autocrítica; e, ao mesmo tempo, dolorosamente vazia. Por vezes conseguia distrair-se. Conseguia inclusive ser feliz e esperançosa em diversos momentos, mas nada duradouro. Bastava uma palavra, uma ação ou olhar negativo de outrem pra sentir que o bem estar, tão demoradamente conquistado, ia embora.
Resolveu parar de pensar sobre o assunto que tanto a perturbava e sentir o que estava ao seu redor. Concentrou-se na areia meio úmida, na linha de luz que ainda restava sobre o mar, nos casais que passavam caminhando e conversando próximo às ondas que se extinguiam na areia revolta da praia. Observava as coisas simples. As coisas que não mudam.  Começou a pensar que, apesar de quieto e aconchegante, não conseguiu se acalmar.



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