terça-feira, 9 de abril de 2013

O DIA DA VERGONHA NACIONAL



Por, Hermann Hoffman
(Acadêmico de Medicina em Cuba)


  




O último 02 de abril deve ser batizado como o dia da vergonha nacional. A data foi marcada por uma reunião no auditório Petrônio Portella, do Senado Federal, e contou com a assistência de quase 500 médicos, além da minguada presença de parlamentares, como o senador Paulo Davim (PV/RN) e o deputado Eleuses Paiva (PSD/SP), representantes dos interesses da categoria. A confraria, que foi denominada "ato em favor da saúde pública e dignidade na medicina”, visou buscar forças para impedir que jovens brasileiros formados nos exterior venham a trabalhar em localidades onde muitos médicos formados no Brasil não querem ir. O ato no Senado, que marcou o dia da vergonha nacional, também intencionou potencializar os obstáculos para impedir o avanço de um acordo no qual o Brasil contratará mais de 6 mil médicos cubanos para trabalhar nos interiores do país.
Toda a agitação do Conselho Federal de Medicina (CFM) tem revoltado a sociedade brasileira, sobretudo quando o presidente da entidade, Roberto Luiz d’Ávila, diz que o Brasil não precisa de médicos. Tal hipocrisia está sendo repetida por outras entidades nos últimos meses após o Governo Federal ter anunciado propostas para melhorar a oferta de médicos e a distribuição geográfica a partir da criação de novas modalidades de revalidação dos diplomas, eliminando o injusto Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida), instrumento letal do CFM para impedir a atuação dos brasileiros formados em medicina no exterior. Segundo d’Ávila, referindo-se a contratação de médicos estrangeiros e revalidação dos diplomas, afirma que o emprenho do Governo Federal "trata-se de proposta improvisada, imediatista e midiática, que ignora as questões estruturais do trabalho médico no SUS”. Atualmente, existem mais de 10 mil jovens brasileiros estudando medicina no exterior, em países como a Argentina, Cuba, Bolívia, Paraguai, Peru, China, Rússia, entre de outros.
Por sua vez, datado de 04 de abril, após somente 48 horas do dia da vergonha, o CFM encaminhou um ofício, com uma pobre redação, para a Presidenta Dilma. O documento inicia mencionando o "compromisso dos médicos com o país”. Sobre isso, não sabemos mensurar qual o compromisso, de quais médicos sobre qual país. No documento órfão de audiência governamental o CFM além de outros pontos, também faz sugestões ao Governo Federal para interiorizar os médicos.
É importante que a sociedade brasileira tome conhecimento destas verdades. As entidades médicas do Brasil, gerenciadas pelo CFM, que ultimamente posam de vítimas, não admitem que o filho de trabalhador, do operário e do construtor possa ser médico, pela mesma lógica que as velhas oligarquias não admitiam que um metalúrgico e sem curso superior fosse presidente do Brasil.
Neste ritmo, está claro para a sociedade que realmente necessita dos serviços médicos qual é o grande problema do Brasil na esfera da saúde pública: mais médicos comprometidos e qualificados, humanos e solidários, dispostos a exercer a nobre profissão nas localidades mais necessitadas. Partindo deste princípio, beneficiar a sociedade não é reunir 500 médicos (em Roraima, por exemplo, existem somente 596 médicos) enclausurados no "puro” ar condicionado do Senado Federal para discutir como atrapalhar a vida dos que querem trabalhar para a sociedade. Beneficiar e proteger a sociedade das doenças é ver todos estes médicos reunidos desenvolverem um trabalho social e voluntário nas comunidades carentes. O desafio está lançado!
 

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