sexta-feira, 28 de setembro de 2012

MANIFESTO CLUBBER



Por, Maíra Magno 


(Produção Tudiconfusi)




Sou de uma geração eloquente, filha de uma juventude delinquente, que jura um dia ter pegado em arma por ideologia. Sou fruto dos guerreiros da paz e do amor que um dia seguraram a flor e juraram que apagariam o canhão. Ah! Romântica união de seres que sonharam um dia com um mundo melhor, onde se poderia plantar maconha e rezar em idioma hindu, onde seus filhos chamariam raio e estrela e andariam pela rua nus. Ou então, o bélico sonho revolucionário de matar o burguês e glorificar o proletário, e qualquer um na rua ser camarada. Uma geração que se divertia no quarto da empregada, enquanto hoje, seus filhos fazem sexo cibernético. Pois bem, teus filhos são o cúmulo da porralouquice, e não te lembres do termo dos anos 60 não, pois nós filhos dos loucos revolucionários somos alienados compulsivos, bissexuais ativos e passivos, o ápice do frenético estágio estacionário. Em nossas cabeças, nada mais que sexo e extasy girando numa batida techno                                            
                                             
Somos os zeladores da promiscuidade, não importa a idade, dos 13 aos 30, cumprimos a tabela: cheirar cocaína e nos melar de esperma, viver a noite e desprezar o dia, encher de excesso as nossas vidas vazias, viver agora e esquecer-se de ontem. Se tu pensas que isto faz parte de alguma definida ideologia, esquece este seu pensamento by anos 60, nós nem sabemos o que é isso, passamos por tudo sem o menor compromisso, tudo o que conhecemos são algumas palavras em inglês: tanse, mix, over, cool and drag quens. Antes de mais nada somos assim livres de tudo, principalmente de raciocínio, poucos de nós já leram algum livro e ninguém sabe ao certo para que serve uma revolução. Somos junk por adrenalina, viciados em diversão, e que o mundo se exploda, mas que se exploda numa boate de porão para que o barulho seja confundido com alguma batida eletrônica que nos consome os ouvidos, mas nos dá tesão. 


Clubbers


Pensas que isso é algum tipo de crítica à minha geração? Então enterra sua ideia, pois estas palavras são antes de tudo um ato de louvação deste mix virtual de tudo com nada, desta loucura desenfreada, deste glamour insano. 

Nada neste nosso mundo é humano, definhamos de magreza, ouverdosamos de sexo em tempo de AIDS, só conversamos através de telas, matamos os músicos tradicionais, já que tudo que ouvimos é fruto de sintetizadores musicais, fazemos um culto ao cult, e um hit to breath, transformamos garotas em travestis, somos double, bi, tri, pansexuais. Neste mundo, somos todos iguais, o feio torna-se belo, tudo depende de atitude, louvamos o sadomasoquismo e o sexo público, ao amor olhamos com repúdio, somos tudo o que para vocês há de mais podre no mundo, mas o somos com alegria. Bem antes de ser taxada de transviada, a minha geração não está desesperada, não sonhamos com guerras, nem com armamentos nucleares, e mesmo a violência entre nós já está saindo de moda, o que queremos é unicamente diversão e se temos um conceito muito amplo, perdão, é sinal dos tempos. 

Porém se um dia o mundo vier a ruir, estaremos isentos, em nossas mentes não contribuiremos em nada com a situação, pois no momento do estopim, estaremos todos numa rave de porão, glorificando o trinômio: SEXO, DROGAS E DIVERSÃO.





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