quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

AS CIDADES E OS SEUS REGIMES


Visão aérea das ruínas da Acrópole e do Partenon da antiga Atenas, berço da cultura política ocidental.                 

                    I

A vida política é vivida em Cidades;
A alma das Cidades é a sua constituição.
A constituição é determinada pelo regime,
O regime é a organização soberana dos poderes;
Tal organização pode ser boa, como pode ser má,
Dependerá da orientação de quem controla o Timão,
Bem como da virtú daqueles para quem se governa.

Quando um governa o Estado para o bem de todos
Temos então uma verdadeira Monarquia.
Quando alguns governam visando o interesse geral
Vivemos em uma efetiva Aristocracia.
Se o povo controla o poder com vistas à satisfação pública
Estamos em uma real Democracia.

A instituição do primeiro regime está ligada à origem do Estado.
Se um único homem, por meio da força ou do respeito dos seus,
Unificou o povo num território e sobre uma única constituição
O primeiro regime instaurado foi uma monarquia.
Se os melhores e mais virtuosos dividem o poder entre eles
Eis que teve origem uma verdadeira aristocracia;
Se todo o povo, ou a maioria, controla o Estado
Esse povo, por conseguinte, fundou uma democracia. 
                         
                           II


Roda do tempo, segundo a mitologia romana, controlada pela Deusa Fortuna. 

Na teoria, a monarquia é exercida em prol da justiça.
Respeitando devidamente a constituição outorgada,
A intenção do monarca e tornar a vida dos súditos feliz.
Mas, quando o governo se alonga durante os anos,
Passando a reger o Estado como se fosse sua casa,
É sinal que algo degenerou a virtude política da realeza.   

O reflexo mais claro da corrupção monárquica
É a hereditariedade que impõe ao povo seu rei:
Seus filhos tornam-se os herdeiros da pátria;
Qual virtude? Quem dará valor ao que tão fácil conseguiu?
Excede-se em luxo e ócio e todos os tipos de paixões;
Não tardará à realeza corromper-se em detestável tirania!   

Ah! Tirania filha ingrata da monarquia.
Não respeita as leis, seu princípio é o despotismo,
Sustentas o poder sob o medo e a agressão.
Do governo de um para o interesse de todos
Ao governo de um só para seu bem estar pessoal,
Ignoravas que de tais atitudes brotaria sua própria ruína!

Contra a injustiça dos tiranos muitos se revoltam,
Os homens começam a aprender como mudar a história;
Os valorosos aristois não suportam tal vida criminosa
Seguidos pelo povo, os fies escudeiros, compõem a revolta.
Ao destituir o tirano indesejado dão origem ao novo governo.

A aristocracia é promovida pela indignação à tirania nefasta.
É o governo dos melhores, dos mais justos, dos mais virtuosos,
Pois conformam suas condutas às leis devidamente promulgadas,
Preferem sempre o bem público ao invés da vantagem própria.
Porém, o governo dos melhores é também o dos mais ricos!

Com passar do tempo o dinheiro torna-se a arma de um grupo.
Esse grupo já não é necessariamente composto pelos melhores,
Mas pela família e pelos amigos dos antigos aristocratas.
Os mortos não ressuscitam; os vivos degeneram o governo!
Que igualdade civil, se a ganância dos ricos detêm o poder?
A aristocracia corrompe-se na avarenta e ambiciosa oligarquia!

Ah! Avarento e ambicioso espírito oligárquico
Só queres roubar, confiscar e tornar-te mais rico.
Prejudicando muitos e premiando uma minoria,
Desrespeitando as leis e maltratando os cidadãos,
Tu mostras também desconhecer a história,
Ignora a força humana, o desejo popular de mudança.

O fim da oligarquia é um levante popular.
O povo vai às ruas e vinga-se de seus opressores
Grita em favor da liberdade, dos bens confiscados.
Então instaura a democracia, o Estado popular.
Neste a multidão detém soberanamente o poder,
Louva a liberdade e estende a decisão a todos.

Por isso mesmo o Estado popular está fadado à vida curta.
Deixando as decisões aos caprichos da grande maioria
O governo do povo paulatinamente também se corrompe,
Haja vista que se desenvolve uma situação de licença
Na qual ninguém reconhece as leis, nem a autoridade.
Dessa forma, a democracia degenera em licenciosidade!

                           III

Frontispício da obra História em geral do historiador
grego, radicado em Roma, Polibio.

A história apresenta esse constante vir a ser:
A alteração dos regimes e constituições de um Estado,
O eterno devir das formas no decorrer de sua existência
Sempre movido pelo eterno desejo humano de mudança;
Até que morra de uma vez o Estado, degenerando-se no nada
Incapaz de sobreviver várias vezes às mesmas vicissitudes.

 Por outro lado, a história que apresenta o ocaso da política,
Também traz consigo os fatos que nos dão o ensinamento
Capaz de elucidar o presente e dar estabilidade à nação.
Traz a grande lição de como evitar o fracasso, orientar a ação,
Instigando-nos a escrever o que ainda não está escrito,
A inventar o novo, pois nem tudo é eterno retorno do mesmo!




(Por, Saulo Henrique Souza Silva)



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