sábado, 12 de novembro de 2011

AOS AUSTEROS E AOS ÉBRIOS

                   Apolo com a cítara e a serpente Píton./  Drinking Bacchus (1623), por Guido Reni.
                  Obra romana, século II a.C., do templo
                  de Apolo em Cirene, hoje no Museu
                          Britânico, Londres.

(Por Saulo Henrique Souza Silva)

Estar sóbrio é ser sábio,
Falar com consciência das palavras.
Como levam vantagem os sóbrios!
Afinal, Quem haverá de dar ouvidos a um ébrio,
Entregue aos desejos, transviado por paixões?!
Assim discursava o poeta que louvava a austeridade.

Mas e os prazeres infindáveis do corpo,
Do vinho a fluir lentamente com o sangue,
Da loucura prazerosa, de todos os amores?
Estar ébrio faz parte da História!
Os homens sempre estiveram presos às suas paixões. 
Justificava o poeta amante dos prazeres mundanos.

De repente uma voz prudente se sobressai ao debate e exclama:

“Ah inconseqüentes! O primeiro despreza o corpo;
O segundo está totalmente preso aos seus desejos.
Não vêem que apenas velam o real homem histórico?!
Quando houve em um homem tal santidade,
Diga-me mestre do caráter?
E tu, insensato, quem sobreviveria a tal embriaguez?
Apenas se apegam isoladamente aos princípios do homem,
Mas não vêem realmente o homem,
Sim seus contrastes que defendem com ardor
Como se fossem a verdade incontestável.
O austero louva o caráter,
O ébrio defende a embriaguez.
Cegos, cegos e cegos;
O real homem histórico é austero e ébrio!”

2 comentários:

Gil disse...

ADOREI!

Saulo Henrique Souza Silva disse...

Adorou né? Sabia que iria gostar, viu que a palavra vinho ficou com a cor que lhe é própria, destacando-se das demais palavras?